XCVI.

   Você não gosta de menina mimada. Mas onde mais encontrar segurança de merecimentinho tão grande que não seja abalada pela fome que você traz pra mesa, por toda a insegurança que você dá, por toda a segurança que você rouba?

  Não gosta de gente positiva demais. Mas quem é que vai criar narrativas românticas com bons prognósticos e dizer pra si e pro mundo que as concessões que você faz a contragosto são uma fofura do seu jeitinho, provando que você na verdade ama muito, mesmo sem dizer?

  Não gosta de ser sufocado, mas se a única fonte plena de afeto é grudar no que te alimenta (quando não retirada em punição, digo, por auto preservação) e o único espaço a compartilhar contigo de bom grado sem transtornos é o seu, como não fazer desse mundo todo o mundo dela?

  Afeto diluído precisa de mais volume pra alimentar, é néctar aguado.

  Prezas exaustivamente condicionais geram obediência plena ou rebelião. Tá passando da hora de procurar quem seja mais tolhida. Um procedimentozinho broxante e uma performance domesticada vão fazer parte do pacote. Querer que você performe melhor, também.

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